Jornal O Repórter Regional

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Boatos e notícias sobre o fim do mundo


Catástrofes, extinções, armagedon, asteroides cruzando os céus, ameaça nuclear, pessoas correndo, marcianos destruindo tudo. Tudo isso parece roteiro de filme hollywoodiano, daqueles com temas apocalípticos. E é! É também a imagem que muitos têm do fim do mundo, do momento que antecede o caos e o colapso de nossa sociedade.
Fomos educados assim, vivemos numa sociedade pautada em um livro religioso que termina com o caos total, onde praticamente todos serão punidos, e tudo que foi conquistado pelo homem será desfeito. Inconscientemente carregamos em nossa memória estórias e imaginações desse momento final, e por isso a sociedade tem tanto fascínio por tal tema, alimentando sempre a necessidade de se precaver, a ansiedade por esse momento, e os mais profundos pesadelos e tormentos mentais sobre o fim do mundo.
Todo esse sentimento de cisma social pelo apocalipse deixa de serem inofensivas no momento que boatos e lendas são expostas a um número cada vez maior de pessoas, muitas delas mal informadas e sem alfabetização científica, e que tomam isso como verdade, sem nunca checar as fontes. Nesse momento é devaneios individuais se tornam ameaças ao conhecimento e ao bom senso, pois pessoas influenciam pessoas, e toda influencia tem peso, seja boa, ou seja ruim.
Sempre tivemos estórias de catástrofes, apocalipses, e todo tipo de aberração que se possa imaginar contra a raça humana. Porém nos últimos anos, até porque temos um acesso muito maior a informação que gerações passadas, a quantidade de “besteiras” que surgem sobre o tema é cada vez maior. Temos há alguns anos uma lenda que Marte ficará do tamanho da Lua, e todo ano ela retorna enganando muitos desavisados. Ano passado era o planeta Nibiru, esse ano é o tal calendário Maia, agora no final do ano são três naves no padrão do Império (Star Wars), que estão vindo para destruir a Terra. Para cada cometa que surge aparecem uma enxurrada de invencionices e teorias absurdas de que aquele pálido pedaço de gelo sujo possa ser o nosso fim, e assim caminham as teorias da conspiração e as profecias furadas.
Cabe a todos que gostam, e tem um mínimo de acesso a ciência combater e desmistificar tais teorias, informando e incentivando as pessoas a procurar fontes, verificar a veracidade de tais informações, e questionar antes de sair divulgando ou ficar temendo o pior.
A pseudociência se confunde muito facilmente com a ciência séria, e na maioria das vezes seus resultados são mais mirabolantes que o da ciência verdadeira, tornando-se mais chamativo para o leigo. Basta ver o tamanho do espaço que a astrologia tem em jornais e revistas, o interesse que os programas sensacionalistas de TV têm pela ufologia, o tanto de curandeiros que ainda existem no mundo e o tanto de gente que busca solução em tratamentos alternativos, pessoas vendendo geradores infinitos de energia, e por aí vai.
Porém a pseudociência deixa furos, e essa ferramenta tem e deve ser usada para que as pessoas questionem informações e não se iludam com notícias insensatas que fazem mal para o conhecimento. É normal ver pseudocientistas e pseudo estudiosos amparando seus “trabalhos” em nomes de cientistas sérios, conturbando dados e estudos de anos, insistindo em atribuir tais informações a agencias de pesquisas renomadas. É comum ver o nome da NASA, CERN, ESA, e até mesmo o site Wikileaks, hoje na moda por vazar informações ditas como confidenciais.
É muito importante antes de crer, divulgar ou viver qualquer informação, que se busque sua fonte, se realmente existem nos sites de tais agencias essa informação, se aquele famoso cientista realmente disse aquela informação, e principalmente, se existe lógica no que está lendo.
Clube de Astronomia Edmond Halley CAEH caehalley@hotmail.com





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