Se você está na faixa de consumidores de água com
média abaixo de dez metros cúbicos, não vale à pena economizar. Parece existir
uma prática criminosa de cobrança indevida. Se existe um relógio em cada
residência para medir o consumo – por que cobrar taxa mínima de dez metros
cúbicos? Taxa deveria ser cobrada se não houvesse um meio de mensuração. Isso é
sem dúvida um desestímulo à economia. Quem economiza não têm nenhum benefício e
ainda sofre penalidade. É isso mesmo! O cidadão está sendo penalizado por
economizar água! Consuma cinco metros cúbicos e pague dez! A resposta da
Sanepar seria: “cobramos porque está na lei”.
Leis anacrônicas serviram em épocas remotas e devem
ser reavaliadas - se está na lei, está na hora de mudar, principalmente numa
época em que se fala tanto sobre a iminência de faltar água potável no planeta.
Numa época em que a Itaipu promove todo ano o encontro denominado “Cultivando
Água Boa”. Onde o foco é a preservação do fluído universal. Sem ele não existe
vida, pessoas não deviam estar sofrendo sanções por economizar água.
Se um cidadão tem em média o consumo de seis metros
cúbicos e paga quatro a mais, a vontade é de jogar fora o remanescente em
protesto. Lavar mais calçadas, demorar mais no banho e até jogar fora antes da
data da leitura mensal. Surge o questionamento sobre por que pagar por um
produto que não usou? A água é dele, do cidadão; vai pagar igual e faz o que quiser
com ela! Até jogar no ralo já que se sente lesado.
O mesmo cidadão que paga pela água que não usou se
pagar a conta com atraso paga multa de 2% sobre a conta d’água e multa de 2%
sobre a conta do esgoto. Isso é uma afronta, uma agressão moral. Não seria mais
uma penalidade para quem vem sendo constantemente motivado através de
propaganda a economizar água?
A Sanepar, não levando em conta as recentes
denúncias da Polícia Federal sobre poluição ambiental, é considerada uma
companhia modelo de gestão de mananciais para o mundo. Esse capenga paradoxo de
exploração e desestímulo ao consumidor não combina com uma empresa modelo. É
vergonhoso continuar essa prática que o consumidor não consegue ver, porque já
está no DNA de cada um. Uma herança de pai para filho considerando o tempo de
existência da instituição. Precisamos com urgência rever e remover esse entulho
de política incorreta.
*HEITOR FERNANDEZ é jornalista,
publicitário, administrador de empresas e escritor.
Contato: heitorpress@primeiralinha.com.br
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