Além de pessoas que já haviam ido às ruas contra o governo nos protestos do primeiro semestre de 2015, a manifestação deve reunir alguns eleitores do PT, descontentes com o segundo mandato de Dilma.
Mas há também quem tenha se desiludido com o rumo dos protestos e desistido de voltar às ruas.
A BBC Brasil conversou com essas pessoas para saber o que motivou a mudança de opinião:
'Queria oposição que não fosse focada só em tirar Dilma do poder' - Ednílson Souza, 39, técnico de enfermagem paulista
"Participei do primeiro protesto (antigoverno), em 15 de março, e logo começaram os panelaços.
Continuo insatisfeito com o governo. Não gosto do PT atual. Mas não vou ao protesto de domingo.
Sou mais ligado à esquerda do que à direita, reconheço que o Lula fez um bom governo, com programas sociais, e acho que o FHC também não foi ruim.
Mas este governo atual está muito ruim, e não concordo com as suas alianças políticas. O problema nem é tanto a corrupção, que sempre teve, mas até agora não se prejudicava tanto o povo. Mas a (presidente) Dilma mentiu demais, está fazendo tudo diferente do que ela disse (em campanha).
Como um governo que se diz do povo corta direitos trabalhistas assim?
Só que acho que a oposição não está preocupada com o povo. Ninguém foi com o povo gritar nas ruas. Não gosto do (deputado Jair) Bolsonaro, ele é de direita, mas pelo menos ele deu a cara a tapa e foi aos protestos.
Queria uma oposição que não fosse focada apenas em tirar a Dilma do poder.
Votei em Marina Silva no primeiro turno e em Aécio Neves no segundo, mas mais por insatisfação, não foi um voto de apoio.
O PSDB parece que só quer diminuir o governo para entrar, e não para melhorar o país.
Também acho que o impeachment do jeito que alguns querem parece meio golpe, uma atitude oportunista. É melhor passar quatro anos (de governo) e então votar com mais consciência.
E essa polarização atual também incomoda, como se (a política) se reduzisse a PSDB contra PT.
Parece uma guerrinha de Corinthians x Palmeiras, em que um (eleitor) tem que ganhar do outro e defender seu candidato. Temos que tirar esse negócio de partidos da cabeça, porque somos manipulados por todos.
Naquele protesto de março, eu vi as pessoas (manifestantes) meio que se divertindo, tirando fotos com a polícia, tomando sorvete. Como se fosse uma reunião de amigos. Lembro das manifestações dos caras pintadas contra o Collor... Protesto tem que ter indignação – não violência –, e não vi isso naquele dia.
Muitos dos meus amigos também desanimaram de protestar. Naquele dia que fui (à manifestação de março), dois amigos do trabalho também foram. Eles nem comentam mais sobre política, antes falávamos sobre isso todos os dias. Mas não porque mudamos de ideia em relação ao governo. Não sei exatamente o que eles pensam. Da minha parte é apenas porque não concordo com a forma como está sendo feito. A oposição não passa credibilidade alguma."
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